sábado, 14 de abril de 2012
quinta-feira, 12 de abril de 2012
Despalavra - Manoel de Barros
Hoje eu atingi o reino das imagens, o reino da despalavra.
Daqui vem que todas as coisas podem ter qualidades humanas.
Daqui vem que todas as coisas podem ter qualidades de pássaros.
Daqui vem que todas as pedras podem ter qualidade de sapo.
Daqui vem que todos os poetas podem ter qualidades de árvore.
Daqui vem que os poetas podem arborizar os pássaros.
Daqui vem que todos os poetas podem humanizar as águas.
Daqui vem que os poetas devem aumentar o mundo com suas metáforas.
Que os poetas podem pré -coisas, pré-vermes, podem pré-musgos.
Daqui vem que os poetas podem comprender o mundo sem conceitos.
Que os poetas podem refazer o mundo por imagens, por eflúvios, por afeto.
Daqui vem que todas as coisas podem ter qualidades humanas.
Daqui vem que todas as coisas podem ter qualidades de pássaros.
Daqui vem que todas as pedras podem ter qualidade de sapo.
Daqui vem que todos os poetas podem ter qualidades de árvore.
Daqui vem que os poetas podem arborizar os pássaros.
Daqui vem que todos os poetas podem humanizar as águas.
Daqui vem que os poetas devem aumentar o mundo com suas metáforas.
Que os poetas podem pré -coisas, pré-vermes, podem pré-musgos.
Daqui vem que os poetas podem comprender o mundo sem conceitos.
Que os poetas podem refazer o mundo por imagens, por eflúvios, por afeto.
quarta-feira, 11 de abril de 2012
Poema da Necessidade
É preciso suportar Antônio,
É preciso odiar Melquíades,
É preciso substituir todos nós.
É preciso salvar o país,
É preciso crer em Deus,
É preciso pagar as dívidas,
É preciso comprar um rádio,
É preciso esquecer fulana.
É preciso estudar volapuque,
É preciso estar estar sempre bêbado,
É preciso ler Baudelaire,
É preciso colher as flores de que rezam velhos autores.
É preciso viver com os homens,
É preciso não assassiná-los,
É preciso ter mãos pálidas e anunciar O FIM DO MUNDO.
.Carlos Drummond
de Andrade.
sábado, 7 de abril de 2012
quarta-feira, 4 de abril de 2012
O Primeiro Ninho
O primeiro ninho
não foi um pássaro quem o fez:
foi uma mulher, ou um poeta.
Oh, a vida parece que começou ontem,
e os ninhos dos pássaros,
por mais que voeje a révoa, não mudam.
~*Mark Dennis Velhinho - Cabo Verde
segunda-feira, 2 de abril de 2012
quinta-feira, 29 de março de 2012
Manoel de Barros - Trechos do livro Matéria de Poesia
Madrugada esse João
Botou o rio no bolso e saiu correndo...
Pega! Pega!
Botou o rio no bolso e saiu correndo...
Pega! Pega!
2.
Muita coisa poderia fazer em favor da poesia:
a - Esfregar pedras na paisagem.
b- Perder a inteligência das coisas para vê-las.
(Colhidas em Rimbaud)
c - Esconder-se por trás das palavras para mostrar-se.
d - Mesmo sem fome, comer as botas. O resto em Carlitos.
e - Perguntar distraído: - O que há de você na água?
f- Não usar colarinho duro. A fala das furnas brenhentas
de Mário-pega-sapo era nua. Por isso as crianças e as putas do
jardim os entendiam.
g - Nos versos mais transparentes enfiar pregos sujos,
teréns de rua e de música, cisco de olho, moscas de pensão...
h - Aprender a capinar com enxada cega.
i - Nos dias de lazer, compor um muro podre para
os caramujos.
j - Deixar os substantivos passarem anos no esterco,
deitados de barriga, até que eles possam carrear
para o poema um gosto de chão - como cabelos
desfeitos no chão - ou como o bule de Braque -
áspero de ferrugem, mistura de azuis e ouro - um
amarelo grosso ouro da terra, carvão de folhas.
l - Jogar pedrinhas nim moscas...
Muita coisa poderia fazer em favor da poesia:
a - Esfregar pedras na paisagem.
b- Perder a inteligência das coisas para vê-las.
(Colhidas em Rimbaud)
c - Esconder-se por trás das palavras para mostrar-se.
d - Mesmo sem fome, comer as botas. O resto em Carlitos.
e - Perguntar distraído: - O que há de você na água?
f- Não usar colarinho duro. A fala das furnas brenhentas
de Mário-pega-sapo era nua. Por isso as crianças e as putas do
jardim os entendiam.
g - Nos versos mais transparentes enfiar pregos sujos,
teréns de rua e de música, cisco de olho, moscas de pensão...
h - Aprender a capinar com enxada cega.
i - Nos dias de lazer, compor um muro podre para
os caramujos.
j - Deixar os substantivos passarem anos no esterco,
deitados de barriga, até que eles possam carrear
para o poema um gosto de chão - como cabelos
desfeitos no chão - ou como o bule de Braque -
áspero de ferrugem, mistura de azuis e ouro - um
amarelo grosso ouro da terra, carvão de folhas.
l - Jogar pedrinhas nim moscas...
Quem anda no trilho é trem de ferro
Sou água que corre entre pedras:
-liberdade caça jeito
Sou água que corre entre pedras:
-liberdade caça jeito
sexta-feira, 16 de março de 2012
Em todos os dias procuramos algo no outro, achamos que algo que não deu certo foi culpa de tal pessoa, mas se nos deixamos sermos desrespeitados pelo outros o primeiro passo foi nosso, se não estamos indo pelo melhor caminho a culpa é nossa, e se escolhemos um outro caminho não posso esperar que o outro venha até ele, o melhor é o agora e no agora me deixo.
"Se não tenho plena aceitação de mim mesmo, passo a vida procurando a felicidade fora de mim. A atitude que busco pode ser resumida numa frase: "Entrego, confio, aceito e agradeço""
Professor Hermógenes, um dos maiores difusores brasileiros da yoga
Assinar:
Postagens (Atom)





